Trinta anos de carreira, uma noite em Curitiba

Trinta anos de estrada, dois irmãos no palco

Antes dos grandes auditórios, veio a lona de circo. Foi ali, na formação artística e humana que marcou os primeiros passos da dupla, que Edson & Hudson começaram a construir o que hoje é uma das trajetórias mais sólidas do sertanejo brasileiro: mais de 12 milhões de cópias vendidas, 23 álbuns lançados e oito projetos audiovisuais ao longo de três décadas.

Nos anos 2000, os irmãos ajudaram a redefinir o gênero ao incorporar influências do rock ao romantismo característico do sertanejo, criando uma identidade musical própria. Um dos marcos dessa trajetória foi a apresentação na Festa do Peão de Barretos em 2004, que registrou a maior bilheteria da história do evento até então — um feito que a turnê “30 Anos” revisita em uma de suas homenagens mais emocionantes da noite.

Edson e Hudson se apresentando no espetáculo 30 Anos
Edson & Hudson em cena no espetáculo “30 Anos”, que passa por Curitiba no dia 31 de julho.
Foto: Marcos Oliveira

Um manifesto artístico: tecnologia e narrativa cênica

Mais do que uma turnê de aniversário, “30 Anos” foi concebido como um espetáculo cênico de grande escala. A abertura já entrega o tom: uma locomotiva avança por trilhos que atravessam o palco, unindo passado, presente e futuro, enquanto os irmãos emergem como narradores e protagonistas de sua própria história ao som de “Te Quero Pra Mim”.

Painéis de LED de última geração, conteúdos visuais cinematográficos e um desenho de luz sofisticado transformam o palco em um organismo vivo, capaz de dialogar com cada momento musical. No centro de tudo está a assinatura autoral de Hudson, responsável pela produção musical do espetáculo — reafirmando o controle artístico que a dupla exerce sobre a própria obra.

Cenário e iluminação do espetáculo 30 Anos, de Edson e Hudson
Painéis de LED e desenho de luz assinam a produção cênica de “30 Anos”.
Foto: Marcos Oliveira

O repertório que atravessa gerações

O setlist da noite percorre todas as fases da dupla. Clássicos como “Azul”, “Galera Coração”, “Foi Deus” e “Te Quero Pra Mim” dividem espaço com um momento solo de Edson ao piano, mais intimista, e com o retorno da banda em clima de celebração coletiva. Há ainda o resgate do “Modão”, tributo aos mestres que inspiraram os irmãos desde os tempos de circo, e o solo de guitarra de Hudson, instrumento que ajudou a consolidar no sertanejo moderno.

A versatilidade da dupla aparece também nas releituras de clássicos do rock internacional incluídas no show, como “Carrie” (Europe), “Have You Ever Seen the Rain” (Creedence Clearwater Revival) e “Love Hurts” (Nazareth) — novidades que o público curitibano poderá conferir ao vivo pela primeira vez na cidade.

O palco: Teatro Guaíra

Poucos endereços carregam tanta história cultural em Curitiba quanto a Praça Santos Andrade. O projeto do atual Teatro Guaíra é assinado pelo arquiteto Rubens Meister, um dos precursores do modernismo no Paraná, com obras iniciadas em 1952. Tombado como patrimônio cultural do estado, o complexo reúne três auditórios e é um dos maiores centros culturais da América Latina, com capacidade para quase três mil pessoas somando seus espaços.

Na fachada voltada para a rua Conselheiro Laurindo, um painel do artista paranaense Poty Lazzarotto recebe o público — um detalhe que vale o olhar de quem chega mais cedo para o show.

No dia 31 de julho, o Teatro Guaíra recebe uma noite pensada para celebrar trinta anos de música, tecnologia de palco e memória afetiva. Para quem vem de fora para o show, a BetaSuites é o ponto de apoio ideal em Curitiba antes e depois do espetáculo.